Se alguem chegasse pra mim e perguntasse: "ei, quer ir ver um filme sobre um Rei que não consegue falar direito?", minha resposta seria: "aham, senta lá Cláudia!". Contudo...
A história retrata uma parte da vida de George VI (pai de Elizabeth II que é mãe de Charles e ex-sogra da Lady Diana e bisavô de William e Harry), desde a sua juventude, quando já casado, ainda era conhecido como Príncipe Albert, o duque de York. Parte da função de um membro da família real inglesa - se não toda ela - é a de usar sua imagem para dar ao povo orgulho, inspiração, coragem e acima de tudo vontade de continuar pagando impostos para que eles continuem a viver em seus belos palácios. O problema é que o jovem Albert, ou Bertie, como é chamado pelos familiares, é gago.
Sua esposa corre atrás de médicos e especialistas que o fazem passar pelos mais embaraçosos e inúteis tratamentos. Até que ela encontra Lionel, um auto-proclamado terapeuta da fala, extremamente inteligente apesar de não ter formação médica ele entende que o problema tem uma raiz psicossomática, o que deixa o Albert muito desconfortável. Após algumas desistências e retomadas os dois acaba, desevolvendo uma grande amizade e [SPOILER] apesar da gagueria de Albert nunca sumir completamente, ele aprende a controlar-se e concentrar-se ao longo dos anos.
Outro aspecto que beneficia muito o filme é seu trio de atores principais.Pra mim hoje não há ninguém melhor que Geoffrey Rush, que começou sua carreira no teatro australiano e mais tarde migrou para o cinema. Aqui ele um terapeuta excêntrico, ator nas horas vagas, que não se intimida por um minuto a frente da realeza, e insiste para o princípe que em seu consultório eles são "iguais". Colin Firth retrata o princípe de maneira temperamental e arrogante. Mas essa arrogância é fajuta e forçada justamente porque sendo um membro da família real ele deveria ser superior a todos os outros mortais, mas ele se sente inferior devido ao seu problema de fala, algo que seu pai e irmão garantiram que virasse um trauma em sua vida. O contraponto de suas tristezas, a dor de sua vergonha pública e a falta de amor e carinho que passou na infância encontra-se em suas duas filhas e especialmente sua esposa, vivida por Helena Boham Carter, e como é bom saber que não sabe só fazer papel de louca. Aqui Elizabeth é doce e companheira, preocupada com a situação do marido ela é o seu porto seguro, apesar de também ser arrogante, afinal ela é um membro da realeza, Boham Carter consegue ser também adorável.
Mas essa história é contada pelos enquadramentos da camêra. Albert aparece sempre nos cantos dos quadros já que ele se sente deslocado e a camêra sempre um pouco afastada, já que existe um distancimento entre o público e membro da linha de sucessão real. Enquanto que Lionel ocupa o centro do frame e camêra chega bem próxima de seu rosto, já que esta figura simpática não demora a se tornar um amigo. [SPOILER] É somente ao final do terceiro ato quando vemos o Rei recitar o tão esperado discurso avisando ao povo inglês que a nação está oficilamente em guerra com a Inglaterra, que ele assume controle de sua voz e ao final temos a camêra fechada e centralizada em seu rosto.
Um ótimo filme, com cara de cinema britânico, ótimas atuações e uma direção de arte lindíssima. Mas que no final de tudo ainda é apenas uma história sobre um problema de fala de um Rei.

ei....onde vc viu?? estreou??
ResponderExcluirtô super curiosa!!1
eu adorei esse! hihihi
ResponderExcluirprimeiro pensei (pq sou eu né.....) "mas ele não era gago! era outra coisa!" hahaha pq ele trava antes das palavras né, não fica repetindo eternamente o comecinho.. mas aí fui procurar o rei no youtube e é igualzinho, tadinho! pra mim esse filme vai ficar na mesma categoria mental de filmes como ´amadeus´. =] vou ler ali sobre cisne negro, queria ver mas o tempo tá curto. falando em tempo, que vergonha, tenho que te mandar as fotos, se eu nao te mandar entre hoje e amanhã comece cobrar sem parar :~ uuhuhuh
=****
Belo texto... mesmo que eu nao tenha visto o filme haha.
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